6 de abr de 2009

CHOCOLATE MEIO AMARGO

Olá amigos . . . Já ouvimos por aí alguém nos dizendo... "adoçante, açucar ou vai amarguinho mesmo" ? Em nosso ambiente de trabalho, Débora, uma jovem senhora, prefere amargo. Como é que você gosta ? A verdade é que nem sempre o gôsto de um, é exatamente o gôsto de outro. Estamos falando de café, como você já percebeu. Mas, e se fôsse remédio ? E amargo ? Não havendo rota de fuga, só tem um jeito: Encarar ! Conhece chá de losna ? Não é fácil meu camarada ! Mas tem um outro que é "super-hiper-mega amargo". Chama-se "Pau Tenente". É um senhor chá para dôr de estômago e tem nos ervanários (herbanários) por aí. Quando iniciar a ebulição (fervura), com uma ou duas "lasquinhas" ou pequena "porção" no recipiente, conta dez minutos e tira do fogo. Coe se precisar e sentindo que não vai lhe queimar a bôca, tome meia ou uma xícara (se conseguir). Lembro que num distante 24 de dezembro, acometido de surpreendente e quase insuportável dor de estômago, alguém apareceu com uma "xícarazinha" dêsse chá nada simpático, mas extraordinariamente eficiente. Dessa eficácia, na época, eu ainda não sabia. Vivia nàquêles momentos uma dôr inimaginável. A impressão era de que o "Hulck", enfurecido, estava torcendo meu estômago. Sentei-me na cama para receber a xícara com o chá que chegava às minhas mãos. Percebi que fumegava. Foi quando ouvi claramente, um suave e gentil incentivo: "Tá quentinho, mas devagarinho dá prá tomar... Não rejeite. É amargo, mas é bom" (em meio a dor, pensei... nada amargo é bom)... mas fazer o que ! Alí, nàquela situação, eu e você tomaríamos ácido ou chumbo derretido. Tomei ! Foram quatro corajosas e bem sucedidas investidas. Voltei a deitar. Acomodado, mas ainda com dor e gemendo feito carro de boi, notei que ficava sozinho. Não totalmente ! É que próximo da cama, em uma cadeira, percebi minha mulher. Quarto, cama, mulher ... e uma dor de estômago "cavalar" prá complicar um momento que até poderia ser interessante. Não ví, nem senti, ... o que sei é que dormi. Não muito, mas dormi. O suficiente para acordar sem àquela sensação terrivel de estar sendo torturado pelo "Hulck". De vez em quando, como agora, lembro daquêle natal e do abençoado chá, prá lá de amargo. Temos aqui duas situações: O café que pode ser adoçado à gôsto ou não... e o chá que recomenda-se ingerir puro, natural. Mas é nossa a decisão: Podemos aceitar ou recusar êste, aquêle ou os dois. O mesmo acontece com qualquer outra opção para beber ou comer, assim como com qualquer outra coisa da vida desde que, de envolvência PESSOAL. Seja ou não amarga, a escolha é nossa. Nós temos êsse poder. Você já ouviu falar de AMARGURA ? Sabe de onde procede ? Vem de amargor, que quer dizer mágoa, desgôsto. Tem alguma ligação com "amargo" mas não de sabor..., e sim de dôr. Chega sem avisar e amarga tudo. É um amargo de fato desagradável por trazer em si mesmo a capacidade de ferir, de ser doloroso e até cruel que rima com fel. Àquêle poder de mudar quando desejarmos o quadro que estamos vivendo, substituindo-o por outro que não nos machuque, ... aqui, neste tipo de amargura,... esqueça: NÃO EXISTE ! Um chá, ... mesmo da erva medicinal poderosa que lembramos acima, não nos livrará da dôr, cuja nascente é a amargura. Vamos lembrar uma realidade: Sergio Bittencourt, crítico musical brasileiro, jornalista e compositor, filho de Jacó do Bandolim, tinha em sua vida uma amargura. Uma doce amargura. Depois do falecimento de seu pai, Jacó, êle compôs uma canção, cuja letra extraiu da dôr pungente que pesava-lhe no peito. Virou um clássico da musica popular brasileira ... "Náquela mesa tá faltando êle e a saudade dêle tá doendo em mim" ... Sergio também já é falecido (03/02/41 ... 09/07/79). Mas deixou essa pérola. Na amargura, origem da dor, o sentimento por não ter feito mais por seu pai. Poderia ter conversado mais. Passeado mais. amado mais... Mas não imagine, o inimaginável. Sérgio amava Jacó. Grande pai. Leal, verdadeiro. Jacó, amava Sérgio. Inteligente, criativo, sentimental. E até por isso, Sergio se achava devedor. Porque êle, Jacó, sempre foi MAIS pai, Sergio entendia que deveria ter sido MAIS filho... mas ... "agora só resta uma mesa na sala e hoje ninguém mais fala em seu bandolin..., nàquela mesa tá faltando êle e a saudade dêle tá doendo em mim"... Na vida, caminhamos ora doces, ora amargos. As situações, compete-nos avaliar e decidir. Precisamos compreender que vivemos imprevisões. Por mais que busquemos acertar, acabamos, mesmo assim, errando em algum ponto. E nasce a decepção, o desencanto, o inconformismo particular, só nosso. Daí, a tendência, é suscitar a amargura. Mas se conseguirmos a tempo detectá-la tentando nos dominar, a antecipação defensiva pode sugerir um novo movimento capaz de criar em nós, um sentimento motivador, otimista e suficientemente forte para reagir e superar a adversidade que começava a ganhar corpo. Mas temos que admitir: A vida não é um mar de rosas. Mas também não é um mar revôlto. Podemos até cair, mas que vai haver luta vai ! Sabe o que lembrei agora ? O nome de um filme de "Jean Claude Van Damme"... "Retroceder nunca, render-se jamais". Isso nem parece nome de filme. Tem mais a ver com mensagem de otimismo. E é ! Porque nós temos chances sim. E são boas. Não sabemos tudo de tudo é verdade. Mas quem é que sabe ? O que precisamos é seguir aprendendo, acreditando, lutando, buscando. E porque não agora ? Aproveite ! O momento é bom. A partir desta páscoa, tempere a vida. Não sei se concorda, mas o doce com o amargo, quando "dosados" com sapiência, podem sim dar certo. Se você acreditar no melhor resultado, manterá o equilibrio, saberá como reagir e não ficará inerte. Já fiz isso. E nos embates da vida, nunca mais me senti sozinho. Agora, na páscoa de todo ano e do ano todo, o meu chocolate preferido é o "meio amargo". Uma delícia ! É como a vida ... experimente ! E FELIZ PÁSCOA, TODO DIA ... ... ... ...

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