7 de jan de 2010

U T I . . . O QUE É PRÁ VOCÊ ?

Olá amigos ... Bem, prá você não sei. Prá mim, até a alguns anos passados, aqui do lado de fora onde estou, UTI era nada ! Desde não sei quando, ouvi sobre UTI - Unidade de Terapia Intensiva. Portanto tenho conhecimento da existencia dela faz um bocado de tempo. Mas isso, em momento algum, chamou minha atenção a ponto de provocar o interêsse de vir a conhecê-la melhor. Até janeiro de 1997, com certeza não. O que mais me impressiona é hoje admitir, indignado comigo mesmo porque, um cara como eu, enfronhado faz tempo na lida jornalística, nunca ter tido o mínimo interêsse para saber o que verdadeiramente é e a que verdadeiramente se presta um organismo como êsse. Em momento algum acendeu àquela "lampadazinha" chamada "boa idéia", para me motivar a passar alguns momentos ou horas em qualquer das UTIs dos hospitais da cidade vendo e bem de perto o que lá acontece todos os dias. Eu não sabia, mas isso não iria demorar prá acontecer. Era um domingo. Havia voltado da praia em companhia de meu genro juliano. Fiquei em casa e êle foi prá casa dêle. O entardecer chegava sem pressa. Estava tudo bem. Um banho rápido, um suco geladinho, um sofá, TV, um contrôle remoto e um jogaço de bola com o fenômeno fazendo "coisarada" com a camisa do Barcelona. Percebi que algo me inquietava. Não atinava o que, mas tinha a ver com o peito, com as costas quase a altura dos ombros, com a garganta e até com a saliva. Fui ao banheiro e vi que embora minúsculo, havia um sinal de sangue em minha boca. Nada que um pouquinho de água não pudesse resolver. Pronto ! Voltei ao sofá. E o Ronaldão "comendo a bola". Mal havia me acomodado e, de novo, aquela coisa ruim me obrigava a voltar para a pia do banheiro. E não foi mais que de repente a sensação de mêdo que me sacudiu e me fez tremer nas bases. Me considero um cara de bom auto-contrôle. Embora temeroso, vendo sangue suficiente para ficar assustado, consegui manter o equilibrio e raciocinar com acerto. Dobrei uma toalha de rosto e a coloquei sobre a boca, apenas como atitude preventiva. Só a retirava quando minha boca já sem espaço para mais sangue, me obrigava a isso. Fui ao telefone e disse ao meu genro que precisava da ajuda dêle para ir até o hospital. Êle ficou preocupado mas o acalmei dizendo que era uma instabilidade passageira determinada pelo descontrôle de minha pressão arterial. Senti, claramente que êle ao dizer "tá legal", queria mesmo era dizer: duvido que seja isso ! E não era ! Mal saimos de casa rumo ao Hospital São José, senti que precisava recorrer de novo a ajuda da toalha dobrada, colocando-a de pronto sobre a boca, para não espalhar sangue no carro. A toalha, nessa hora, foi útil por demais. Mesmo ao volante, não teve como êle não ver o que estava acontecendo. Mais assustado que eu, acelerou e chegamos, finalmente, ao hospital. Fui prontamente atendido e isso não esqueço e jamais deixarei de agradecer. Duas médicas num primeiro momento, fizeram uma avaliação. Perceberam o que não percebíamos. Que meu caso, não sendo contido pela primeira medicação ministrada, passaria a exigir um cuidado médico maior e até a permanencia no hospital. Nêsse contato inicial e após medicado, fiquei no pronto-socorro em observação. Melhorei. Fui liberado e pude voltar para casa com a orientação de que, ao menor sinal, retornasse sem demora. E tive que retornar. As médicas pressentiram que isso aconteceria. Náquele domingo o médico de plantão era o Dr. Marcos Antonio Navarro. Elas já haviam comentado com êle meu problema. Amavelmente me atendeu e numa pequena sala explicou o que me acontecera. Não era coisa simples e dificilmente, sem internação, a medicação resolveria. Contudo, faria nova tentativa, recomendando a volta imediata ao hospital caso percebesse essa necessidade. E que nêsse caso chamasse por êle, visto já conhecer minha situação. Isso também aconteceu.

U T I . . . O que é prá você ? (parte final) -
Foi quando, depois de Deus e minha família, êsse médico cirurgião de altíssima competência, Dr. Marcos Antonio Navarro, assumiu a minha vida. Êle é sabio, manso e humilde de coração. Lembra alguém, não lembra ? Até pelo seu respeito e amor ao próximo. Grande médico ! O dia era cinco de janeiro. Fui internado. No curso dos cinco dias seguintes, foi difícil a minha luta por causa das seguidas crises que me debilitavam cada vez mais. Dr. Marcos não lutava menos que eu. Era sempre mais. Exames de todo tipo, aplicação precisa de medicamentos, visitas seguidas, ... correria. Até que,... não sobrou mais nada a não ser uma cirurgia. E assim, foi marcada para dia 10 de janeiro de 1997, 8 horas da manhã. A essa altura meu caso já estava identificado: Infarto Pulmonar Hemorrágico. Mas na noite do dia 9, entre 19 e 21 horas, nova crise quase me venceu. Isso levou o Dr. Marcos Antonio Navarro a confirmar o que já houvera dito: Se eventualmente viesse a ocorrer outra crise durante a madrugada em qualquer hora antes das 8 da manhã do dia 10, a cirurgia não poderia esperar mais. Teria que ser feita. Felizmente amanheci sem crise alguma e só fui para o centro cirúgico para ser operado na hora marcada. Saí de lá para a UTI, por volta de 17 horas. Sem saber nem ver, fui apresentado para quem nunca pensei conhecer. E ela, a UTI, a julgar pelo que fui sentindo nos dias que se sucederam, me recebeu muito bem e me tratou melhor ainda. Foi uma acolhida mais que familiar. Nada fiz para merecer tamanha honraria. E sabe o que mais ? A medida que me recuperava fui testemunhando que tudo o que recebia, recebiam também todos os demais companheiros de UTI. Passavam os dias daquele janeiro ... calor intenso. Lembro de um domingo. Nàquele dia vi a luta de um médico, um enfermeiro e duas enfermeiras, para trazer à vida um homem que já estava partindo. Não foi coisa pequena. Uma grande batalha. Mas êle voltou. E o médico e seus companheiros se alegraram tanto quanto àquêle Pai que esperava seu filho voltar à casa paterna. Fiquei fortemente emocionado com o que acabara de testemunhar. Aprendi a respeitar e admirar médicos, enfermeiros e enfermeiras que se revesavam a cada 24 horas, sempre atentos, sempre observadores, sempre atendendo cada paciente com carinho e especial dedicação. E me perguntava: quem era eu para ser tratado como se fôsse uma criança ? Quem eram àquelas mulheres e homens que me banhavam como a um menino quando na realidade lidavam com um homem ? E porque tanta amabilidade no assistir e amparar alguem que em nenhum momento, lá rua, importante e insensível, sequer os cumprimentou ? Como pode ser possível não ter visto em instante algum nenhum dêles nos caminhos de minha vida ? É que, êles. quem sabe, um dia já estiveram ao meu lado na fila do banco, no ponto do ônibus, na igreja, el algum lugar por aí, mas eu não vi nenhum dêles. Fiquei indiferente, não lhes dei atenção. Recordo e penso ser difícil esquecer que, por causa da dor ou da posição cansativa no leito e do calor que não era fraco, eu movia a cabeça insistentemente para um lado e outro evitando gemer. O médico de plantão na UTI (sei ser injusto não dizer seu nome, mas infelizmente não lembro), percebeu à distancia, levantou de onde estava, chegou ao meu lado e disse. "Seu Luiz, alguma coisa está acontecendo, não é verdade" ? Acenei positivamente com a cabeça, concordando. "O senhor está sentindo dôr" ? Concordei de nôvo. E êle arrematou: "Seu Luiz não quero que o senhor faça mais isso. Se o senhor e qualquer outro paciente aqui dentro sentir dor, podem e devem gemer até para que, ouvindo, possamos medicá-los". Na UTI, é assim: é real a grande preocupação em fornecer confôrto e ausência de dor a todos os pacientes internados. Por pouco mais de duas semanas pude conhecer e bem a UTI, seus profissionais e seus serviços. Os casos podem ser diferenciados, mas a atenção e os cuidados são sempre bons, sempre iguais. Comovem e emocionam. O quadro clínico gravíssimo, é muitas vezes fator determinante que impede a sequência da vida. Mas isso, importa dizer, jamais acontece por desatenção ou indiferença. Porque É NA UTI que há, todo dia, tenazes lutas em defesa da VIDA. Prá mim, UTI,... É O MELHOR LUGAR DO HOSPITAL ! E PRÁ VOCÊ ? E finalizando: À DEUS E AO DR. MARCOS ANTONIO NAVARRO, ... MINHA GRATIDÃO, ... DIA A DIA ...