8 de mai de 2009

O "OUTRO" HOSPITAL - (Dos Corredores) -

Olá amigos . . . Além daquêle outro hospital lembrado como "força de campanha" no caminho das últimas eleições e futura obra de prioridade em muitas cidades deste país, lembremos que nós, por aqui, já temos e faz tempo, um triste e dramático hospital instalado e crescente que funciona à parte, DENTRO de um tradicional hospital e em situação lamentável, deprimente. É o dos corredores". O "outro" hospital. O que mostra essa realidade constrangedora, são pessoas doentes ocupando cadeiras e macas (quando tem), pelos corredores e ao longo das paredes ou mesmo possíveis e pequenos espaços pelo chão. Por ali permanecem do jeito que dá em situação de absurdo desalento e inacreditavel insensibilidade.

O atendimento, embora assim, em condições que ninguém quer mas que são as únicas, revela a decadência de um sistema que vai rumando para o inadmissível. A penúria ! Não dá prá olhar tal quadro sem sentir um irrefreável misto de indignação e tristeza. Isso nos induz a um pensamento: Temerário demais é ficar, hoje, sem plano de saúde. Muita gente tem... muita gente não tem. No segundo caso, não é difícil compreender que o impedimento, em sua maioria, tem motivação financeira. Só que nosso povo TEM PLANO DE SAÚDE BOM E EM PLENA VIGÊNCIA e parece não perceber. O SUS É UM PLANO DE SAÚDE. Isso mesmo. O Sus não é favor. É UM DIREITO !

E em se tratando de disposição superior, constante da Carta Magna da Nação para governantes e governados, o quesito SAÚDE e suas disposições constitucionais e legais teria que merecer melhor atenção dos legisladores e administradores eleitos pelo povo para que fôsse, de fato, cumprido na letra da lei. Arriscamos crer que, se assim fosse, os recursos seriam corretamente aplicados, servindo bem o setor e melhorando em muito o atendimento à população por todo o país. Só assim daria prá imaginar que o plano de saúde do govêrno federal entregue ao cidadão não seria o que tristemente é hoje. No título VIII da Constituição Federal de 5 de outubro de 1988, no capitulo I, artigo 193 nós lemos que... "A ordem social tem como base o primado do trabalho e como objetivo o bem estar e a justiça social"... Já o artigo 196 diz que... "A saúde é direito de todos e dever do estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação".

Se toda essa maravilha não estivesse apenas na constituição mas, sobretudo, em nossa vida, não teríamos que rumar com grande esfôrço para qualquer outro plano de saúde. Logo, ainda que poucos tenham alcançado o entendimento pleno do assunto, o que estamos dizendo é que, o trabalhador e sua família, mesmo o mais simples e humilde, tem, assegurado, constitucionalmente, o direito de ser atendido, medicado e assistido assim que precisar recorrer a um ambulatório, pronto-socorro ou hospital. Nêles, ou nos postos de atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde), atendentes, integrantes do quadro de enfermeiros ou mesmo médicos não poderiam nem podem, em momento algum, dar ao beneficiário (contribuinte) e aos seus, um tratamento que mais parece um "favor" do que um dever de ofício. Se o atendimento respeitoso não puder acontecer por indução natural, por formação educativa familiar,... há que acontecer, quer queira ou não, na educação e cordialidade exigida à luz da lei. E nem estamos lembrando aqui e em detalhes, a injustificada falta de medicamentos, acessórios médicos e instrumentos para atendimento inclusive cirúrgicos.

Quanto à acolhida ao contribuinte e o relacionamento, felizmente, embora poucas, existem exceções carregadas de bondade e ternura. Essas, entretanto, não conseguem mudar o quadro desolador que se vê todos os dias nos corredores e em determinadas "alas ou salas de observação" dos hospitais, onde pacientes ficam durante horas ou até um, dois, três... ou mais dias. Alguns permanecem ali, "acomodados" em macas, bancos, cadeiras comuns ou de rodas, sem um mínimo de confôrto, embora doentes e debilitados. Dividindo o mesmo espaço, estão crianças, jovens, pessoas de meia-idade e idosos. Uma situação deprimente que deveria ser inadmissível, inaceitável. Sobretudo porque, afinal, o SUS não é outra coisa senão um plano de saúde PAGO "na fôlha" pelo trabalhador. O que êle (o trabalhador) espera e tem o direito de receber é, no mínimo, um atendimento digno e respeitoso. Mas o que encontra, nada tem a ver com sua expectativa. Ressalvando as já lembradas exceções, êle se depara com funcionários indiferentes, insensíveis, contrariados, cansados, estressados... de mal com o mundo. Essa postura, felizmente não generalizada, tem origem na maioria dos casos, no incessante corre-corre diuturno, nas restritas condições de trabalho e, por extensão, nos salários sempre aquém do justo e desejado. Poucos médicos, falta de medicamento, gaze, esparadrapo, quarto, leito, travesseiro, lençol, coberta, entre outras necessidades, também influem no agastamento geral. A demora e a precariedade no atendimento, acaba superando em certos dias e momentos, os limites do suportável e um ou alguns descontrolam-se, protestam com veemência e esbravejam dando vazão ao seu inconformismo. A maioria, porém, curva-se aparentemente resignada diante do absurdo que agride e fere.

Mas, por outro lado, muita gente sofrida temendo o pior, admite a exclusão e submissa fecha-se num silêncio apertado e difícil. E assim, queda-se debilitada, vencida. Aceita "O OUTRO HOSPITAL", ... uma espécie de hospital número dois. O dos corredores,... dos aparentemente SEM DIREITOS, desfavorecidos. Só aparentemente. Porque que não é verdade ! Não dependem de favor ! ÊLES TEM DIREITOS. E neste caso, direito à saúde, assegurado na legalidade e na imposição da lei. Mas dirigentes de hospitais, políticos, entre outros,... indiferentes e frios, parecem esquecer ou desconhecer essa realidade. E seguem assim. Foi daí que surgiu "O Muro da Insensibilidade" ou "A Linha da Separação". Quem pode,... prá lá... Quem não pode,... prá cá. E assim, não muito distante deste ambiente, temos quartos de bom padrão, limpos, arejados, com leitos regulaveis, bons colchões, travesseiros, lençóis e fronhas cheirando higiene e cuidado, sobre-lençol, cobertores, mesa de cabeceira, acomodação para acompanhante, banheiro completo limpo e esterilizado, frigobar, TV e ar condicionado, viisitas médicas no tempo regulamentar... uma maravilha ! Parece um outro mundo, para um outro povo. E pior que é !

Vamos confirmar: Embora não pareça, porque poucos explicam, O SUS É UM PLANO DE SAÚDE... diferente,... (por causa do atendimento e serviços na maioria dos casos),... MAS É ! Os planos de saúde organizados, administrados, bem cobrados, MAS QUE FUNCIONAM, nasceram daí. NÃO DO SUS, que em sua essência é coisa boa. Mas da desatenção e omissão para com êle. Uma gestão, de fato, austera e competente na pasta da saúde no país, faria do SUS nosso maior orgulho. O sistema clama por uma grande cirurgia reparadora, milagrosa. Mas, mesmo a contra-gôsto, admitamos: Assim como é,... por todo o país tem servido o povo. Do jeito que pode. Do jeito que dá. Mas tem... Há, portanto, como melhorar para cumprir sua finalidade. Todos sabem que é difícil, mas concordam que não é impossível.

Porisso mesmo, quem deve saber mais, trabalhar mais e interceder mais pelo povo sobre saúde pública, ambulância, pronto-socorro, hospital, medicamento e atendimento, são os... políticos. Exatamente. Êsses senhores devem à nação claras e definitivas prestações de contas sôbre seus trabalhos em defesa da saúde e da vida da familia brasileira. Os senhores... TODOS os senhores SÃO OS RESPONSÁVEIS. OS SENHORES TEM A PALAVRA. QUEREMOS OUVI-LOS (mas por favor, sem o "papagaiar" irritadiço e inconsistente que já conhecemos). E prá concluir: Uma perguntinha para os políticos da cidade de Joinville/SC e região: "Antes de construir o outro hospital (àquêle da campanha), será que dá prá acabar com êsse "outro" dos corredores, suprindo JÁ as limitações absurdas, melhorando as condições de trabalho e oferecendo leitos decentes, bom atendimento e tratamento digno aos pacientes ??? "
(Obs.: Fotos meramente ilustrativas).